Celulando

9.8.06

Sobre Deriva Genética

O termo deriva genética também tem um significado científico específico: é o nome dado à flutuação puramente randômica nas freqüências alélicas de uma população ao longo do tempo, devida a um efeito de amostragem. Para entender porque isto ocorre, devemos lembrar que o conjunto de genes de uma geração não é simplesmente uma cópia exata da geração precedente, mas sim uma amostra, que está sujeita a erros estatísticos, qual uma loteria genética.
O norte-americano Sewall Wright (1889-1988), um dos pais da genética de populações e da síntese evolucionária moderna, foi o primeiro a chamar a atenção para esse fenômeno. Ele verificou que, quando o tamanho efetivo da população é pequeno (como no caso das tribos indígenas e isolados genéticos) ou diminui muito por epidemias ou guerra (falamos, então, de um gargalo populacional), podem ser observadas variações importantes nas freqüências alélicas de uma geração para outra por causa da deriva genética.
Um caso extremo deste fenômeno, chamado “efeito fundador”, ocorre quando um pequeno grupo de pessoas migra para um local e reprodutivamente cria uma nova população. Se algum alelo por acaso ocorrer em alta freqüência na população “fundadora”, ele ficará super-representado na população “filha”. Em uma coluna futura, voltaremos a este tema.
Coube ao grande geneticista japonês Motoo Kimura (1924-1994) demonstrar, no final da década de 1960, que a deriva genética ocorre mesmo em grandes populações, desde que os alelos sejam neutros (ou quase neutros) do ponto de vista da seleção natural. A seleção é uma força determinista que leva ao aumento da freqüência (e inevitável fixação) de alelos favoráveis e à extinção de alelos deletérios. Mas, quando os alelos são neutros, não há forças deterministas atuando e os alelos estão livres para flutuar em freqüência ao longo do tempo.
Imagine que você está à margem de um rio que flui (o tempo passando) e solta um veleiro de brinquedo (no caso, um modelo para um novo alelo gerado por mutação). Se há um vento a favor (seleção positiva), ele acabará chegando à outra margem (fixação); caso haja um vento contra (seleção negativa), ele vai acabar voltando à margem de partida (extinção). Mas, na ausência de vento, o barquinho ficará à deriva entre as duas margens, tendo baixa probabilidade de chegar a uma ou outra delas. Analogamente, a chance de um novo alelo chegar à fixação puramente ao acaso é muito pequena se a população for grande. Por outro lado, em uma população volumosa há um grande número de mutações ocorrendo o tempo todo. Desta maneira, a deriva genética de alelos neutros contribui significativamente para a evolução.
As teorias de Kimura causaram furor nos círculos genéticos das décadas de 1960 e 1970, pois, afinal, elas traziam à baila uma “evolução não-darwiniana”. Ocorreram debates acirrados de selecionismo versus neutralismo. Os geneticistas da velha escola não toleravam que o determinismo seletivo, tão conveniente e bem-comportado, pudesse ser substituído pela anárquica contingência neutralista.


fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/4203

1 Comments:

At 2:24 PM, Anonymous Anonymous diz...

vão tomar no cú de vocÊs

 

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